JUSTICA,
INJUSTICA E NACAO INGRATA
Primeiramente
tenho que agradecer ao meu querido amigo e porque nao, ja historiador, Pedro
Beja, por ter-me dado o enredo para essa postagem. Sua critica a visita do
principe ingles de terceira classe ( afinal e o terceiro apenas na linha
sucessoria ) alem de me causar profunda admiracao, ja mais do que existente,
pelo meu amigo, fez-me refletir mais alem e mesmo longe do carater imparcial de
historiador. Como Monarquista que assumidamente sou, poderia parecer um
contracenso criticar, como meu amigo, todas as pompas e circunstancias da vinda
deste principe ao nosso pais. Mas ao que me contraponho nao deixa de ser uma
atitude francamente monarquista, e por isto confesso minha parcialidade,
deixe-me portanto elucidar esta trama aparentemente confusa.
Auxiliado
por um livro autobiografico de Sua Alteza, o principe ( brasileiro ) D. Joao de
Orleans e Braganca, em que, alem de sua valorosa vida, destaca sua arvore
genealogica, deparei-me com mais uma das diversas injusticas da Historia
brasileira. Ao vislumbrar as linhagens desta figura, pai de quem carinhosamente
o povo de Parati, onde trabalha duramente em sua pousada, chama de D.
Joaozinho, deparei-me com dois lados opostos, uma familia real de antiquissima
linhagem e muitos mais feitos gloriosos, brasileira de coracao e que nos
possibilitou nos tornarmos uma nacao independente e outra familia, oriunda de
invasores barbaros, assassinatos, pirataria, dominacao mundial e mentiras.
Passando
um pouco pela Historia mais antiga, remontando a Idade Media, temos o primeiro
alicerce destacado de nossa familia Imperial tao esquecida - Roberto, o forte,
conde danjou, cujo filho tornou-se posteriormente Roberto I, rei de Franca.
Isso, em 922, quando a familia inglesa que nos visitou com tanta ostentacao nao
passava de um bando de saqueadores das costas europeias ate por volta do seculo
XIII invadirem a Inglaterra e tomarem o poder desta nacao. Ainda temos, no
esteio dos antepassados de nossa casa Imperial, Hugo Capeto, fundador da
dinastia dos Capetingios, cujos celebres descendentes foram os diversos Luizes,
ate o seu ultimo, Luis XVI, guilhotinado durante a Revolucao Francesa. Ainda
temos os Boubon nesse sangue real tropicalista, sem falar nos poderosos
Habsburgo que, na figura de nossa Mater da independencia, Maria Leopoldina de
Habsburgo, nos trouxe mais do que um nome poderoso, mas sim a liberdade.
Todo este
passado e humilhado diante da afronta de tal reverencia diante de meros
ex-saqueadores de reinos, enquanto que nossos herdeiros da Monarquia deposta
pelo Golpe, sim chame-se assim, de 1889, andam sem qualquer escolmta, pompa ou
dignificacao pelas ruas de nosso pais, em Petropolis, Vassouras ou Parati.
Mesmo quando obtem audiencia com um Presidente, como a pouco houve com o
ex-titular sr. Luis Inacio, o Lula, quase nenhuma divulgacao obtem da midia,
tampouco qualquer aparato de seguranca os segue afim de garantir sua seguranca.
Quando nos anos oitenta o principe brasileiro Pedro Thiago foi sequestrado,
pouco ou nada foi feito pelos orgãos mais representativos da República em prol
da solução, tendo sido necessário o pagamento do resgate, às custas da própria
família imperial. Dirão, obvio! Eles que pagassem! Concordo, mas o completo
descaso com pessoas que fazem parte da nossa historia é completamente inverso
aquele dispensado por exemplo às famílias de ex-presidentes que fossem
sequestrados. Mesmo o vergonhoso ex-presidente Collor, que agora incrivelmente
é Senador, teria um completo aparato governamental caso, por exemplo, sua
inteligentissima esposa - que afirmou nos anos noventa que em Roma só servia
pra comprar sapatos, Roma! só serve pra isso - fosse sequestrada.
Concluindo, a verdade é que, a despeito de quaisquer convicções ideológicas, se
devemos alguma reverência, esta não é com certeza à nobreza inglesa, seria no
mínimo à nossa própria nobreza Tupiniquim, que se orgulha de ser brasileira
mesmo que sua linhagem seja uma, senão a mais, nobre da Europa, repito,
arrastando em sua História, mais de mil anos, englobando os Capetíngios, os
Bourbon, os Orleans, os Habsburgo, os Bragança e os Saxe-Coburgo. Enquanto isso
a família de Normandos, invasora das ilhas Britânicas, bando de saqueadores da
Idade Média, cuja dinastia se empobrece por si só, a despeito dos casamentos e
alianças posteriores que tentaram dar-lhes alguma nobreza. Portanto, a proxima
vez que um principe seja de tal forma resguardado e protegido, que seja um
principe brasileiro, marcado por nosso sol, moreninho, como por exemplo nosso
querido morador de Parati, D. Joãozinho, e não um principezinho que brinca de
militar e tenta inutilmente como seu pai, também ainda principe, sambar com uma
mulata, fazendo caras e bocas de tarado inglês de algum conto chulo.