domingo, 18 de março de 2012

JUSTIÇA, INJUSTIÇA E NAÇÃO INGRATA


JUSTICA, INJUSTICA E NACAO INGRATA

Primeiramente tenho que agradecer ao meu querido amigo e porque nao, ja historiador, Pedro Beja, por ter-me dado o enredo para essa postagem. Sua critica a visita do principe ingles de terceira classe ( afinal e o terceiro apenas na linha sucessoria ) alem de me causar profunda admiracao, ja mais do que existente, pelo meu amigo, fez-me refletir mais alem e mesmo longe do carater imparcial de historiador. Como Monarquista que assumidamente sou, poderia parecer um contracenso criticar, como meu amigo, todas as pompas e circunstancias da vinda deste principe ao nosso pais. Mas ao que me contraponho nao deixa de ser uma atitude francamente monarquista, e por isto confesso minha parcialidade, deixe-me portanto elucidar esta trama aparentemente confusa.

Auxiliado por um livro autobiografico de Sua Alteza, o principe ( brasileiro ) D. Joao de Orleans e Braganca, em que, alem de sua valorosa vida, destaca sua arvore genealogica, deparei-me com mais uma das diversas injusticas da Historia brasileira. Ao vislumbrar as linhagens desta figura, pai de quem carinhosamente o povo de Parati, onde trabalha duramente em sua pousada, chama de D. Joaozinho, deparei-me com dois lados opostos, uma familia real de antiquissima linhagem e muitos mais feitos gloriosos, brasileira de coracao e que nos possibilitou nos tornarmos uma nacao independente e outra familia, oriunda de invasores barbaros, assassinatos, pirataria, dominacao mundial e mentiras.

Passando um pouco pela Historia mais antiga, remontando a Idade Media, temos o primeiro alicerce destacado de nossa familia Imperial tao esquecida - Roberto, o forte, conde danjou, cujo filho tornou-se posteriormente Roberto I, rei de Franca. Isso, em 922, quando a familia inglesa que nos visitou com tanta ostentacao nao passava de um bando de saqueadores das costas europeias ate por volta do seculo XIII invadirem a Inglaterra e tomarem o poder desta nacao. Ainda temos, no esteio dos antepassados de nossa casa Imperial, Hugo Capeto, fundador da dinastia dos Capetingios, cujos celebres descendentes foram os diversos Luizes, ate o seu ultimo, Luis XVI, guilhotinado durante a Revolucao Francesa. Ainda temos os Boubon nesse sangue real tropicalista, sem falar nos poderosos Habsburgo que, na figura de nossa Mater da independencia, Maria Leopoldina de Habsburgo, nos trouxe mais do que um nome poderoso, mas sim a liberdade.

Todo este passado e humilhado diante da afronta de tal reverencia diante de meros ex-saqueadores de reinos, enquanto que nossos herdeiros da Monarquia deposta pelo Golpe, sim chame-se assim, de 1889, andam sem qualquer escolmta, pompa ou dignificacao pelas ruas de nosso pais, em Petropolis, Vassouras ou Parati. Mesmo quando obtem audiencia com um Presidente, como a pouco houve com o ex-titular sr. Luis Inacio, o Lula, quase nenhuma divulgacao obtem da midia, tampouco qualquer aparato de seguranca os segue afim de garantir sua seguranca. Quando nos anos oitenta o principe brasileiro Pedro Thiago foi sequestrado, pouco ou nada foi feito pelos orgãos mais representativos da República em prol da solução, tendo sido necessário o pagamento do resgate, às custas da própria família imperial. Dirão, obvio! Eles que pagassem! Concordo, mas o completo descaso com pessoas que fazem parte da nossa historia é completamente inverso aquele dispensado por exemplo às famílias de ex-presidentes que fossem sequestrados. Mesmo o vergonhoso ex-presidente Collor, que agora incrivelmente é Senador, teria um completo aparato governamental caso, por exemplo, sua inteligentissima esposa - que afirmou nos anos noventa que em Roma só servia pra comprar sapatos, Roma! só serve pra isso - fosse sequestrada.


Concluindo, a verdade é que, a despeito de quaisquer convicções ideológicas, se devemos alguma reverência, esta não é com certeza à nobreza inglesa, seria no mínimo à nossa própria nobreza Tupiniquim, que se orgulha de ser brasileira mesmo que sua linhagem seja uma, senão a mais, nobre da Europa, repito, arrastando em sua História, mais de mil anos, englobando os Capetíngios, os Bourbon, os Orleans, os Habsburgo, os Bragança e os Saxe-Coburgo. Enquanto isso a família de Normandos, invasora das ilhas Britânicas, bando de saqueadores da Idade Média, cuja dinastia se empobrece por si só, a despeito dos casamentos e alianças posteriores que tentaram dar-lhes alguma nobreza. Portanto, a proxima vez que um principe seja de tal forma resguardado e protegido, que seja um principe brasileiro, marcado por nosso sol, moreninho, como por exemplo nosso querido morador de Parati, D. Joãozinho, e não um principezinho que brinca de militar e tenta inutilmente como seu pai, também ainda principe, sambar com uma mulata, fazendo caras e bocas de tarado inglês de algum conto chulo.

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