A MOTIVAÇÃO DO ÓDIO ENTRE OS POVOS
Hoje me peguei constatando como os ódios entre os povos são complexos e formados por interesses tão aquém de uma razão óbvia que os estimule a isso além da propriedade. Trabalho em um shopping de móveis, cercado por diversos lojistas judeus e muçulmanos os quais convivem em um mesmo ambiente em total cordialidade, lucrando juntos os beneficios do comércio, tradicional atividade de ambos. Outro local onde isso acontece é o SAARA no centro da nossa "Cidade Maravilhosa", onde esbarramos também com estes dois nichos da sociedade em total harmonia.
Pergunto-me então: Qual a razão para que essa cordialidade não se efetue em seus países de origem? E porque aqui sequer perdem seu tempo discutindo razões ou justificativas para o ódio de seus compatriotas nos países de origem?
A única resposta que consegui, analisando a questão, obter foi que tudo se baseia na propriedade. Seja pelas ambições próprias de ambos os povos, seja por aquelas de nações poderosas que as subjulgaram e interferiram em seus processos políticos por séculos, tudo se limita a questões de propriedade.
Não falo aqui de dominação imperialista ou coisas desse tipo, mas a simples intromissão em questões privadas de uma nação. Claro que hoje a situação naquela região parece insustentável e que se faz urgente uma intervenção externa que propicie a paz entre aqueles que estão envolvidos. Mas antes de tudo isto, não foram exatamente estas "intervenções" ,às quais chamo intromissões, que geraram tanta briga?
Quando os judeus foram espalhados pelo mundo após o ano 70 d.c. pelos Romanos, os povos que lá foram habitar, formaram suas próprias identidades regionais. A partir daí, como o posterior retorno dos judeus àquelas terras, a convivência primou pela compreensão e respeito mútuos. As descrições de como os cruzados encontraram a "Terra Santa", pode nos ilustrar como viviam em harmonia as três religiões, nos fornece um quadro quase semelhante ao que antes descrevi. Com o tempo invasões motivadas pela conquista da premiada jóia, a cidade de Jerusalém; sagrada para ambos, foi minando as relações.
Apesar disto, quando; após a Primeira Grande Guerra, o Império Otomano desfaz-se, o ambiente de cordialidade ainda é aparentemente constante, e provavelmente a importância de Jerusalém para as três podia, de forma racional, ser mais do que um sinônimo de desunião, um simbolo; inversamente, de comunhão entre os três.
Mas então, sob o vácuo deixado pelos antigos dominadores Turcos, as terras do Oriente Próximo são bipartidas em diversos protetorados sob a "proteção" da França e Inglaterra, vitoriosas no conflito. Aos habitantes daquelas terras, restava aceitar a submissão, que perdurou até o fim da nova guerra, a mais destrutiva e que somou um aspecto fundamental às problemáticas futuras, a questão do holocausto e a necessidade; a meu ver por pura sensação de responsabilidade de Ingleses e Franceses que apesar de sabedores das atrocidades ocorridas não haviam feito nada para por fim antes mesmo da referida guerra.
Assim, quase que concomitante com a libertação desses povos do jugo Anglo-francês, outra vez a intromissão externa veio a sufocar a autodeterminação dos povos tão hipocritamente ditada pela ONU em 1941, com a inserção; a força, sem prévia concordância de todos os envolvidos, deu um Estado Judeu na região a séculos ausente destes, embora diversas comunidades judias vivessem em harmonia com aqueles que controlavam a região.
A intenção, nunca realizada, de instalar-se um outro Estado para os Palestinos, habitantes da mesma área, iniciou uma crise diplomática que àquela época poderia ter sido mais sabiamente resolvida. Se havia a necessidade do povo judeu ter um lar definitivamente seu, interesses econômicos e de manutenção da guarda ocidental sobre aquelas ricas terras em petróleo, fazia-se a sombra da aparente execução da justiça a ser feita perante as atrocidades nazistas. Uma nova arbitrariedade se impunha em uma região cujos povos, sofridos por duas guerras e diversas dominações, já não conseguia digerir.
A partir daí aqueles judeus e cristãos que eram, se não totalmente aceitos, ao menos tolerados em uma relação de respeito mútuos pelas relíquias de ambos, passam a discordar de tudo e, em particular, da posse de Jerusalém. Assim, tudo decorre da ambição pela propriedade do outro e, à sombra disso, dos interesses ocidentais na região.
Desta vez, Inglaterra e França, arrasadas pelo conflito, os Estados Unidos tornam-se os herdeiros de suas antigas intenções, substituindo-os e incluindo o Estado de Israel como uma espécie de síndico da região que serviria como "apaziguador" de quaisquer avanços destes povos na direção do Comunismo Stalinista. As aparentes independências destes não estabelece nem seus interesses além de dividir as diversas etnias, obrigando-as a conviverem uma convivência que a muito já se tornara frágil e instável.
O resultado disto foram conflitos e guerras tanto entre os opositores como entre aqueles que antes conviviam, originando mais e mais sequelas aos seus rancores que antes eram sabiamente suplantados em prol de um respeito aos seus locais sagrados.
Com tudo isso pergunto-me: o que aconteceria se o SAARA fosse evacuado de seus proprietários em lugar a outros de origem judaica. Será que aí também a paz reinante deixaria de ser a válvula mestra e tornar-se-ia instrumento de frustrações àqueles que sentiriam-se desalojados, paralisados e inertes a qualquer pedido de resolução diplomática? Culminando com as vitórias de Israel sobre a coligação Islâmica após a guerra do Yon quippur e a ocupação de terras cujas decisões da ONU, décadas atrás, figurava como um futuro Estado Palestino, o que jamais; ao menos até o atual momento,
Se o efeito pudesse ser o mesmo, imagino quão seria lastimoso vendo o local esvaziar-se de uma comunidade diversificada sendo substituida pelas intromissões arbitrárias de outrém.
Por fim cheguei à conclusão que o afâ de "ajudar", muitas vezes torna-se o fornecimento do estopim destinado a explodir a grande bomba chamada discórdia. Então, àqueles que alegremente circulam diante da diversidade do SAARA ou das lojas onde trabalho, poderiam sentir-se no próprio Oriente Médio versão brasileira.
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