domingo, 18 de março de 2012

AS ORIGENS DO CARNAVAL: DE FESTA PROFANA DA ANTIGUIDADE A PRELÚDIO PARA A QUARESMA E SINÔNIMO DA FUSÃO CULTURAL AFROBRASILEIRA


AS ORIGENS DO CARNAVAL: DE FESTA PROFANA DA ANTIGUIDADE A PRELÚDIO PARA A QUARESMA E SINÔNIMO DA FUSÃO CULTURAL AFROBRASILEIRA.


Quando o carnaval chega, muitos atribuem sua existência às festas à fantasia de Veneza, aos entrudos portugueses ou as manifestações afro. A verdade é que temos sua origem ainda na Grécia antiga com festividades à fertilidade e na Roma antiga com as Saturnálias, festividade dedicadas ao Deus Saturno caracterizada pelo desfile de um "carro naval" acompanhado por pessoas usando máscaras. Também podemos citar as Lupercais em homenagem ao Deus Pã e os Bacanais em tributo ao Deus Baco ou Dionízio para os gregos. Com o advento do Cristianismo a festa passou a marcar o início da quaresma, período que começava ao fim destas festividades e preparava os fieis para a Páscoa. Simbolizava um último período de concessão às diversões carnais e o posterior período de reflexões que antecediam a principal festa cristã. As festividades não eram aceitas pela Igreja, mas foram toleradas por esta.

A festa foi oficialmente assinalada em 1091, concomitante exatamente com a instituição da Quaresma pela Igreja Católica, compreendendo um período de liberdade carnal do indivíduo. Durante a Idade Média porém, foram incorporando-se carros decorados e bailes de máscara, perdendo a festa um pouco de seu caráter profano, para se formalizar como um evento anual da nobreza. No século XV o Papa Paulo II foi o mais tolerante com esta manifestação popular, permitindo desfiles e festas ao longo da Via Ápia e mesmo bailes de máscaras organizados pelo próprio Sumo Pontífice. 

A partir daí a festa mais particular, ligada a nobreza, caracterizada por esses bailes espalhou-se pelas cortes europeias, principalmente a de Carlos VI e nas cidades de Veneza e Florença. Na França a festa resistiu até a Revolução Francesa, quando foi abolida por se tratar de uma atividade da nobreza deposta. Somente a partir do movimento romântico, esta foi reintroduzida na pátria francesa.


A chegada ao Brasil advem da chegada da missão artística francesa mandada trazer por D.João VI no início do século XIX e das festas carnavalescas portuguesas as quais se denominavam Entrudo, festas satíricas quando se podia ironizar e criticar os governantes e caracterizava-se principalmente pelo ato de jogar água nas pessoas que passavam. Nesse período os bailes de máscara de Veneza já eram muito famosos e conhecidos e como dito anteriormente, o movimento romântico o resgatara na França. Esta fase de ouro do carnaval europeu estabeleceu-se principalmente entre 1830 e 1850, para desaparecer pouco a pouco durante os séculos XIX e início do XX, hoje restringindo-se a Veneza, Nice e Munique. A partir daí, a festa se popularizou no Brasil enquanto perdia sua força na Europa como foi dito anteriormente.

Paralelo a este evento, a cultura negra no Brasil originou algo de singular à festividade. Sendo uma terra onde os escravos em muito excediam os brancos, estes também comemoravam as mesmas festas em conformidade com sua própria maneira de agir. Assim, as danças rituais dos africanos, em particular a Semba, originária de Angola que se caracterizava por encostar os umbigos chamando para a maioria das danças rituais africanas.

A partir daí, temos o Lundu como dança considerada precursora do samba, que era praticada na Bahia. Porém, foi no Rio de Janeiro com a chegada de escravos vindos da Bahia no início do século XIX que este cresceu e desenvolveu-se, tornando-se um gênero musical. No decorrer do século XX o Samba propriamente dito foi sendo então caracterizado como o conhecemos atualmente, passando a ganhar projeção durante o período Varguista o qual utilizou a festividade popular como instrumento de manobra em consonância com a estratégia Populista do Estado Novo.

Neste período, dividia-se bem a festa popular dos negros e uma festa da aristocracia carioca caracterizada por um desfile de grandes carrros alegóricos, as chamadas "Grandes Sociedades". Com o tempo as duas festividades foram se fundindo e o samba popular ganhou certo "status" dentro da sociedade carioca, chegando até os dias atuais como a grande festa nacional que atrai os olhares e visitantes do mundo todo.

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