A GRECIA, A EUROPA, A CRISE E AS UNIDADES FORCADAS
Quando hoje analisamos uma nacao grega, esquecemos-nos do que sempre foi este lugar de passado explendoroso e em cujo berco, afirma-se, nasceu a Democracia e a civilizacao ocidental. Formada desde cedo por um mosaico desunido de povos, foi passo a passo sendo forcada a estruturar-se como unica nacao. Primeiro Alexandre os anexa ao Imperio Macedonico cuja origem discernia dos gregos, unifica-os sob a nomenclatura unica sob uma ilusao de uniformidade. Apos isso, sob a tutela de um dos generais herdeiros deste Imperio, a Helade cai sob o dominio dos novos soberanos do mediterraneos, os Romanos, que a rebatizam de Greciae. Tudo isto, como factoide ilusorio de uma unidade, marca o que ainda hoje e a Grecia.
Ainda na antiguidade e parte da Idade Media, a Grecia faz parte da porcao oriental do Imperio Romano a que vem chamar-se Imperio Bizantino, curiosamente devido a sua capital localizar-se na antiga colonia grega de Bizancio, entao rebatizada Constantinopla. E Importante ressaltar a importancia grega em toda a civilizacao Bizantina o que so teve seu termino iniciado a partir das incursoes da barbarie das cruzadas e por fim com a anexacao pelos Turcos Otomanos em 1453, que inclusive marca; de acordo com a historiografia tradicional, o fim da Idade Media e o inicio da Moderna.
A partir dai a Grecia, sob a dominacao de um povo tanto cultural quanto religiosamente inteiramente diverso, ira lutar incansavelmente por sua emancipacao deste jugo. Se esta luta os fez menos dispersos e mais gregos ha, logicamente, controversias diversas. Talvez a gradual miscigenacao, criando realmente um unico povo, aliado a identidade religiosa ortodoxa; diversa daquela do mundo ocidental, tenham sido os principais responsaveis pela formacao desta Grecia moderna que surge no seculo XVIII sob a tutela inglesa, regida por um rei estrangeiro escolhido dentre as outras cortes europeias sem qualquer vinculo historico ou genealogico com o passado deste povo. A Grecia passa a ser como a irma mais nova, que necessita ser acolhida mas que ao mesmo tempo e violentada por um estranho.
Hoje, em meio a outro factoide ilusorio, a Uniao Europeia, vemos novamente a menina virgem, quase uma ninfa, sendo protetorada pelas nacoes europeias mais poderosas, sem; contudo, deixar de ser espoliada, estuprada e dilacerada. Novamente vemos abaladas as estruturas se marmore da Grecia, ou das Grecias. Cai, como num jogo de cartas, diante da sua fragilidade, toda a instituicao e, a contramao do titulo de mae da democracia, esta e estirpada sob as decisoes despoticas necessarias a restituicao do equilibrio economico da zona do euro. Mas que zona? Entao essa uniao de uma Europa tao diversa nao passa de uma uniao comercial e nao administrativa. O factoide da Grande Europa, a tanto sonhado desde o fim do Imperio Romano, perpassando pelo Sacro-Imperio, Napoleao, Mussolini e Hitler, agora; longe da forca bruta da guerra, encontra lugar na forca economica?
E curioso que quem detenha a primazia economica nesta uniao seja ironicamente a Alemanha, que tanto sonhou ocupar o dominio da Europa. Curioso tambem as ultimas noticias alarmantes que afirmam dois anos de profunda recessao para a nacao grega e os assustam como fosse algo inusitado. Nao lembram-se do pos-guerras e da crise de 29? O certo e que nao so a uniao grega esta ameacada como a de toda a Europa. Discordancias ja assombram novamente as liderancas alemas, francesas e inglesas, e; longe do esquecimento de antigos ressentimentos, existem outros, mais recentes...
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