A CRISE EGIPCIA - ORIGENS SUPRA
MODERNAS
Nos últimos dias nos deparamos com os catastróficos eventos ocorridos num estádio de futebol no Egito e imediatamente processamos suas origens em fatos relativamente recentes que a teriam desencadeado. Como antevi na apresentação do meu blog, destino-me a mostrar que tais origens remontam muito antes, com suas bases fortemente fincadas no período antigo e medieval da História dos povos.
O atual Estado Islâmico Egipcio vive entre um explendoroso passado de mais de 5000 anos e um presente oposto a esta herança pagã que remonta à antiguidade. O Egito que Heródoto identifica como uma dádiva do Nilo, esperimentou na antiguidade seu explendor e seu declínio, até perder toda a sua identidade anterior. Primeiramente, ocupado pelo Império Macedônico, esperimentou uma miscigenação cultural com a cultura clássica Grega a que chamamos Helenismo. Uma forma de arte com profundas evidencias de identidade Grega com características mistas do oriente. Muito se fala da orientalização das artes clássicas nesse período mas se observarmos bem, a influência, a meu ver de estudioso de arte, teve maior peso sobre a arte egipcia. Pela primeira vez a perspectiva chega ao desenho e escultura egipcias, em um total reverso da antiga forma de representação chapada em lateral típica das representações vistas em monumentos anteriores.
Com a morte de Alexandre, o Império é dividido entre seus generais e a Ptolomeu coube a administração do Egito. Este intitula-se Faraó, incorporando culturalmente e como estratégia política de poder, uma instituição já consolidada. Este período ainda marca alguma supremacia estratégica do povo egipcio original sobre aquela região classicamente sob sua influência. Este período vem a ser rompido com a anexação do país pelo Império Romano. A partir daí, o Egito passa a ser mera província Romana, mesmo que sendo a mais importante, responsavel pelo abastecimento de cereais para todo Império. Apesar disso o peso político se desfaz sobre os dois continentes que antes eram sua área de controle, o norteafricano e o mediooriental.
Roma impoe seu poder por séculos, declinando permanentemente o instituto político original egipcio e sua influência e prestígio locais. Quando este desfaz-se, o Egito, após curta administração do Império Bizantino, herdeiro oriental do Império Romano, é logo anexado por um secular inimigo ao qual resistira por séculos, os Persas. Deste momento em diante a nação vai cada vez mais afastando-se de sua origem, de sua cultura, do que fôra o Egito original. A subsequente influência islâmica derrama a última pá de cal sobre isto no que afeta à religião, substituindo o paganismo da antiguidade pelo monoteísmo muçulmano.
Desta forma, se hoje o Egito é uma sombra do que fôra, sendo mero Estado Islâmico em meio a todas as questões complexas desta ideologia religiosa, ao mesmo tempo divide espaço com as evidências de seu passado. Talvez tenha sido a magnificência de seus monumentos que permitiu que não se apagasse por completo seu passado, embora que não fazendo mais parte da realidade cultural da nação. O orgulho que o povo egipcio tem de suas pirâmides e palácios deste remoto período, contrasta com sua atualidade tão diversa e mais complexa do que aquela. Ambas tão diversas mas fundamentais para que se entenda como esta civilização que foi grandiosa sucumbiu ante diversas influências perdendo passo a passo sua identidade original.
Assim sendo, como proferi em minha primeira postagem, faz-se necessário, em toda análise da História mundial, remetermos-nos a muito além de simples períodos históricos relativamente recentes, mas sim analisarmos; no decorrer de muito tempo, como se fizeram as profundas modificações que construiram as atuais realidades.
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