domingo, 18 de março de 2012

BRASIL REPUBLICANO? OU SONHOS IMPERIAIS?


BRASIL REPUBLICANO? OU SONHOS IMPERIAIS?


Quando a República foi "proclamada", Aristides Lobo; testemunha do fato, declarou: "O povo assistiu bestializado o evento". Achavam ser uma espécie de parada militar ou algo semelhante, nunca uma mudança política de tal envergadura. A verdade, escondida, é que por muito tempo o Império foi uma sombra diante da República nascente. Revoltas se espalharam pelo país e o próprio Marechal Deodoro da Fonseca preconizava um governo provisório até que um plebiscito decidisse de vez os caminhos do país. Tal ato apenas ocorreu em 1984, quase um século depois. Claro que a esta altura a República já estava consolidada na mente da população. Estava? Por fim a República ganhou. Provocada por um misto de pressão governamental através de uma intensa propaganda tendenciosa e a desunião do movimento monarquista, o pleito deu ganho, com aparente folga, à manutenção da República. Uma República marcada por 9 presidentes militares, 3 golpes de estado, vários estados de sítio, e 7 governos autoritários foi preferida a um sistema cujo último governante permaneceu por 58 anos no poder mantendo a tal ponto o caráter democrático de seu governo que permitiu inclusive a existência de um partido republicano.

O ponto importante porém a que pretendo explorar neste texto não se refere a isto, mas sim à vocação dita republicana do povo brasileiro. Assistindo todos os anos os desfiles das Escolas de Samba cariocas, paulistas e de outros estados, deparamos-nos; sem percebermos, com a maior declaração inversa de uma tradição monárquica e mesmo um saudosismo desta. Diversas agremiações levam em seus nomes alcunhas de "império" ou  "imperatriz" em total referência a esta forma de governo. Dirão os defensores do sistema republicano tratar-se de mera figura abstrata relacionada a fatores alheios a qualquer ideologia política. Será?

Temos também os representantes do Carnaval, o rei Momo, as rainhas e princesas das Escolas de Samba. Ainda dirão tal fato estar restrito ao evento em si, devido à tradições mitológicas de sua origem, mas que explicação seria dada a Pelé, o rei do futebol, Xuxa, a rainha dos baixinhos, Adriano, o imperador, Francisco Alves, o rei da voz e Emilinha Borba e Marlene, as rainhas do rádio? Que dirão agora aqueles que consideram a tradição monárquica enterrada? Será que não é o preconceito que estabelece qualquer retorno como um retrocesso que impediu no pleito de 1984 que a monarquia voltasse? Apelos não faltam, explícitos mas abortados por uma ideologia que confunde retrocesso com recomeço. A tendência a se olhar o passado e analisar a possibilidade de algo melhor que tenha sido perdido nele é negada sistematicamente em prol dos interesses de uma política de ambição pelo poder supremo da presidência da República. 

Hoje temos vários Imperadores, várias famílias imperiais, várias cortes, originárias de cada detentor deste poder. Se encararmos assim podemos mesmo nos indagarmos, somos uma República ou apenas uma Monarquia eletiva que dura de 4 a 8 anos de acordo com a possibilidade de reeleição do governante? Não serão os ex-presidentes ex-monarcas e suas famílias, detentoras de pensões altíssimas; pagas por nós, uma corte republicana? Perguntas vagas dirão aqueles que defendem a "liberdade do voto republicano", mas isso realmente existe? Diante da história do Brasil republicano deveríamos rever esta dita "liberdade" ao nos confrontarmos com todos os momentos que nos cercearam deste direito. A Monarquia é uma sombra que ainda afronta a República a ponto de que em nossa constituição, ao contrário do período monárquico, ser proíbido terminantemente a existência de um partido monarquista. Interessante a comparação se tivermos a racionalidade desprovida de preconceitos e analisarmos isto dando, quem sabe, chance de uma nova tentativa que talvez resgate a estabilidade democrática dos 58 anos saudosos de Sua Magestade Imperial D. Pedro II.

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